Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Disco Plano

05
Dez17

Nome Próprio (Album Review)

O Capitão Fantástico

Todos os dias tento criar uma vida nova, sinto que nunca estou satisfeito comigo mesmo e sou muito exigente, tento sublimar a minha vida da melhor forma e levo cada dia como uma vida nova realmente. Há uns anos não ligava nenhuma aos Deolinda, há uns anos não sabia sequer que a vocalista da banda era a Ana Bacalhau, felizmente agora já sei e agradeço a uma pessoa especial que entrou de forma devagar na minha vida e infelizmente saiu depressa demais, o melhor é ter deixado memórias boas e recordações que nunca vou esquecer, sem mais demora, falo-vos de "Nome Próprio", o primeiro e espero que não seja o último álbum de Ana Bacalhau, que vou esmiuçar enquanto o oiço neste dia novo.

 

Com a primeira canção temos "Vida Nova", o que mais gosto nesta faixa é a guitarra, típica nossa e típica do que é ser português, em Pop Rock se começa e logo de seguida vem "Leve Como Uma Pena", esta letra é sensível no sentido que se sente e muito, dá vontade dançar e a bateria tem a confiança da voz da mulher protagonista que se ouve nesta faixa a um ritmo único. A melhor mensagem ouve-se em "uns dizem que não posso, outros que não sou capaz, se aprovam ou reprovam a mim tanto faz" e foi o que o génio por trás deste álbum fez, alienou-se aos bons, esqueceu os maus e criou um álbum que à segunda faixa já me conquistou. 

 

Saltamos para o número 3 e lá encontramos "Passo-me A Tratar-me Por Tu" a marcar passo, a voz da Bacalhau continua fenomenal e faz-nos agradecer o facto de nunca ter desistido de si mesma, nunca ter tido de si dó e tratar-se por tu agora. Os "back vocals" fazem-se ouvir também e como disse, esta música marca o passo até que chega "Só Eu", aqui eu parei de ouvir à primeira vez que ouvi, fiquei surdamente espantado com a elegância com que a voz desta cantora se molda ao que nos faz sentir, a guitarra vai tocando devagar e à medida que me apercebo que nem eu consigo prever as coisas, fico boquiaberto.  

 

O timbalão faz-se ouvir e surge a menina que não se esconde por medo nem sequer por um segredo, mesmo que o mundo não seja pra gente como ela, ela canta e encanta, "Menina Rabina" é provavelmente a minha faixa de eleição, porquê? Não só porque me acalenta o coração, mas também porque sinto que a voz da Bacalhau está nua nesta canção, os "back vocals" voltam a ser essenciais e esta letra é fenomenal, tão boa que às vezes até nos esquecemos do tão bom instrumental que está por trás, tão boa canção que até se torna difícil ser-se lúcido. "Mais que uma rosa, mais que um perfume dou-te uma cena de ciúme, faço prova aparatosa do meu amor por ti", se me perguntarem? Todos deviamos ter "Ciúme", é sinal que amamos e é sinal que temos medo de perder. Nesta faixa ouve um empurrão do senhor Miguel Araújo e foi aqui que nasceu o primeiro single deste álbum, por algum motivo o é e acho que é onde a voz alcança as melhores notas, tive o prazer de ouvi-la cantar esta canção no concerto do Miguel Araújo no Coliseu de Lisboa e foi inesquecível, quase chorei por mais. 

 

Ao som de um beatbox cómico saltamos para a faixa número 9, "A Bacalhau", aqui vemos o trabalho bom de Capicua a surgir como a faixa mais dançável do álbum que é "Nome Próprio", liricamente é extraordinário e frisa-se bem que Bacalhau chegou onde chegou porque deu uso ao seu QI e à sua voz, nunca esquecendo de ser dona do seu nariz. Mais um salto e este é grande, "Deixo-me Ir" até ao fim desta crítica, não quero falar sobre todas as outras faixas que ficam a faltar, porquê? Para não encher este post singular com quinhentos adjetivos positivos, Ana Bacalhau cumpriu e pra mim fez um álbum fantástico, 08/10 é a nota que dou e é justamente merecida, esperemos que a protagonista volte a usar a sua solidão para nos dar um segundo álbum e se deixe ir por muitos mais anos, não há nada que temer e não há mesmo nada a perder. 

 

Ana Bacalhau - Nome Próprio, eu oiço no Spotify e também em CD porque já o comprei, oiçam onde puderem, mas oiçam. 

 

907562d3-374a-4040-a02c-a1ae2f1dd770.jpg

 

23
Out17

Evolve (Album Review)

O Capitão Fantástico

Se for para ser sincero, nunca gostei muito de Imagine Dragons, mas ontem recomendaram-me a “Walking The Wire” que é do último álbum deles, ouvi de mente aberta e fiquei… Viciado no álbum todo. Começa com “I Don’t Know Why”  que é quase um grito de desespero quanto a qualquer sentimento amoroso que possamos sentir, Dan Reynolds mostra que sabe e que tem o que é preciso para cantar, a bateria por trás marca o ritmo de uma entrada quase perfeita para este que é o 3º álbum da banda. Em “Whatever It Takes” ainda podemos tentar acompanhar, mas mais uma vez, na voz faz-se ouvir o talento puro de um bom vocalista, melhor só quando entra o refrão e se ouve os vocais de suporte e sabemos que vamos ficar com a frase “I love the adrenaline in my vains, I do what it takes” na cabeça, pelo menos eu fiquei.

No topo da ascendência num álbum que começa de forma muito boa, aparece “Believer”, esta canção já se fez ouvir tantas vezes que penso que o seu eco ainda se ouve se desligarmos o rádio do carro, a bateria mais uma vez em passo combinado com as palmas marca o ritmo, a entrada para o refrão é súbita e as guitarras fazem-se ouvir de uma forma quase à Muse mas mais suave e é também sabido que este refrão vai ficar na cabeça durante muito tempo, poucos serão aqueles que conseguirão cantar como este vocalista (já é cansativo tanto elogio ao mesmo, eu sei) mas podemos tentar o nosso melhor num karaoke desleal.

Em “Believer” podemos parar um pouco e reparar que as letras deste álbum são igualmente de boa qualidade, quando surge a tal que me foi recomendada eu rendo-me logo, é a minha favorita do álbum e não me canso de “take what comes”, “take what comes” e repito sem me cansar “we’re walking the wire, love!”, esta é a música Pop Rock perfeita para mim, tem uma entrada slow, com uma letra cativante, a batida é simples, as palmas acompanham, a voz faz-se ouvir bem e dá vontade mesmo de ir a ouvir isto aos altos berros enquanto se atravessa uma ponte qualquer em direção ao pôr-do-sol!

“Rise Up” e “I’ll Make It Up To You” marcam o passo para uma “Yesterday” já diferente de todo o álbum, algo que os Imagine Dragons mostraram conseguir fazer antes e continuam a fazer, parecem bandas diferentes e mentiram, não é só imaginar dragões, mas também imaginar um universo todo novo, Evolve a esta altura já me conquistou e vem pra ficar como um dos álbuns que nunca me vou cansar de ouvir.

Apesar de “Walking The Wire” porque foi o fio de ligação entre eu e este universo musical, a Thunder é a minha música de eleição, fala da história do vocalista que cresceu numa família Mórmon, era e diz-se ser ainda um rapaz normal, tinha óculos e aparelho e não era de todo o rapaz famoso da escola, mas no seu quarto almejava ser o que pudesse no mundo da música, eu agradeço por ele ter tentado e ter mostrado o seu mundo a nós.

Para mim, este é um sólido 7/10, talvez porque sinto que é um álbum simples e podiam ter explorado melhor alguns temas do mesmo, sinto que esta banda pode ser capaz de fazer melhor, mas por agora, aproveito e vou ouvindo este álbum e a banda que ficou em 1º lugar das bandas que mais ouvi esta semana.

Imagine Dragons – Evolve, eu oiço no Spotify, oiçam onde puderem, mas oiçam.

 

1200x630bb.jpg

 

Próximos espetáculos que vamos ver:

Ben Howard - Coliseu dos Recreios a 27/05/2018

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D