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Disco Plano

23
Jan18

O Lago dos Cisnes - CNB no Teatro Camões

O Capitão Fantástico

Só por um breve momento, o Capitão Fantástico empresta a "voz" a Nara e as sensações sobrepõem-se às opiniões.

 

Na sala do Teatro Camões, a primeira ovação é do maestro. Tchaikovsky faz-se ouvir pelas mãos [e sopros] da Orquestra Sinfónica Portuguesa e ao abrir o pano estamos numa aldeia, em que camponeses - representados por elegantes bailarinos - dançam alegremente na presença do príncipe, a quem a Rainha oferece uma besta. Fascinado com o presente, o príncipe decide caçar e, embrenhando-se no bosque, encontra o Lago dos Cisnes. Ao meu lado o Capitão perscruta cada nota e acompanha os passos, a prima-ballerina que saiu do ritmo, só por um instante, recuperando-o no seguinte.

 

O meu pescoço estica-se um pouco mais e o sorriso rasga-se - Siegfried avista Odette. Ela resiste, quase se tocam... rodopiando nas pontas, bate as longas asas até as costas das mãos se tocarem por cima da cabeça e, por fim, cede. Dançam juntos, apaixonam-se... e é então que a Companhia Nacional de Bailado, numa abordagem pouco convencional, nos surpreende esvaziando o palco para nos deixar a sós com a melodia e a personagem do mago Rothbart, de carne e osso, mas projectada em vídeo no pano de fundo.

 

Fecham-se as cortinas. De volta às cadeiras aveludadas da sala amplamente iluminada, o silêncio dá lugar à desordem e troco impressões com o Capitão. Somos unânimes a eleger o melhor momento: o quarteto de cisnes alvos de braços entrelaçados e a sua sequência hipnotizante e sincronizada de passos, ao som do Swan Lake Op. 20 Act. 1 - Scene 2: Danses des petits cygnes (allegro moderato). Já a preferência musical recai sobre a segunda e uma das mais badaladas - Swan Lake Op. 20 Act. 1 - Scene 1: Valse (tempo di valse).

 

A segunda parte desenrola-se mais rapidamente. O meu olhar é inevitavelmente atraído para os pés e para as pernas, impecavelmente esticadas. Somos transportados para um baile na Corte, em que a Rainha insiste para que o príncipe escolha uma noiva e deixamo-nos envolver pelos movimentos determinados do Cisne Negro, que - fazendo-se passar por Odette - leva o príncipe a prometer-lhe o seu amor eterno. Os cisnes voltam a encher o palco, coreografando formas no espaço, avançando, recuando, repetindo sequências, e assistimos à derradeira dança do casal, entre arabesques e pirouettes.

 

Sem concretizar o sacrifício de ambos, que morrem afogados no Lago, o bailado termina novamente com o palco vazio. Seguem-se as palmas, as vénias, as flores... a Companhia faz 40 anos, por isso a orquestra toca os "Parabéns a você" e apesar do final trágico da fábula dançada, o pano cai ao som de Happy, de Pharrell Williams.

 

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Foto retirada daqui

 

Quero agradecer a uma pessoa muito querida, à Nara, não só porque acompanhou-me ao Teatro Camões em dezembro do ano passado para ver o Lago dos Cisnes, mas também por ter escrito o texto que acabaram de ler, espero que tenham gostado. 

Próximos espetáculos que vamos ver:

Sem datas até ao momento...

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