Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Disco Plano

15
Jan18

A Entrevista - Mathilda

O Capitão Fantástico

Tudo começou no dia em que ouvi o primeiro lançamento de Mathilda que se chama: "Lost Between Self Expression and Self Destruction" e com a música "Infinite Lapse" entrei num mundo novo, em que as melodias simples de Mafalda Costa, abraçadas pelos arranjos complexos de Diogo Pinto, dariam uma nova perspetiva ao meu mundo musical. Mafalda Costa e Diogo Pinto têm 9 anos a separá-los, a menina da Planalto Records tem 17 anos e o fundador da mesma tem 26 anos, trabalham juntos há alguns concertos, não mais do que cinco, neste momento, mas quando estão juntos, quer seja numa entrevista, quer seja num concerto, tornam-se em um só pela amplificação do que querem que se faça ouvir e também por aquilo que lhes vai na alma. Diogo Pinto é também Gobi Bear e neste projeto dele, encontro em "Men-Like Clouds" a minha música favorita, aquela que surge no álbum "Inorganic Heartbeats & Bad Decisions", pode-se ouvir e adquirir no bandcamp do artista, aqui. Mafalda Costa foi o alvo das perguntas do Disco Plano, espero que tenham sido as perguntas certas e espero que gostem das respostas, toda esta entrevista aconteceu no Cinema São Jorge, no passado sábado dia 13 de janeiro, foi possível entrevistar Mathilda e conhecer um pouco mais sobre a bonita voz desta dupla, algumas horas antes da performance no Festival Termómetro, performance que foi simples, honesta e bonita.

 

WhatsApp Image 2018-01-15 at 00.02.16.jpeg

 

- Conta-me como tudo começou. 
Mafalda: Comecei a estudar música quando tinha 10 anos, estudei violino no conservatório durante seis anos, deixei a academia no ano passado porque já não conseguia conciliar e foi mais ou menos na altura que deixei a academia, que comecei a cantar. A minha irmã puxou por mim, achava que eu tinha talento, então participei em alguns concursos, depois mostrei a primeira música que escrevi ao Diogo (Gobi Bear) no início do ano passado. Foi a partir daí que começou a surgir a Mathilda.
- Mas antes disso, começaste por ser integrante de uma banda, certo? 
Mafalda: Sim, eu estive numa banda, mas não deu em nada.
- Sempre quiseste fazer da música a tua vida? 
Mafalda: Gosto muito de música, mas tenho outros objetivos, para o ano vou ingressar na faculdade e quero estudar jornalismo, que é aquilo que quero fazer como profissão, no entanto a música tem que fazer sempre parte da minha vida. 
- Qual foi a tua primeira experiência a tocar ao vivo? 
Mafalda: A primeira vez que cantei ao vivo foi num karaoke, foi um experiência incrível, da qual nunca mais me vou esquecer, mas depois cantei num concurso a nível escolar. 
- Será esse o Liceu Got Talent? 
Mafalda: Exato! Assombra-me a existência desses vídeos no Youtube. 
- Mas por acaso achei interessante, vi a tua performance de "You Know I'm No Good" e conseguiste uma performance sólida e muito boa. Também participaste no Festival Paredes de Coura e na Casa da Música, como foi essa experiência? 
Mafalda: Tudo aconteceu porque eu fiz parte de uma residência artística que se chama Escola do Rock, participei no 3º ano da Escola do Rock e junto com os meus colegas, tentamos criar um repertório com músicas de bandas que já tinham tocado no Festival Paredes de Coura, o que levou-nos lá, à Casa da Música e também ao Serralves em Festa. 
- Isto tudo antes de Mathilda? 
Mafalda: Sim, a primeira vez que toquei ao vivo como Mathilda foi na 1ª eliminatória do Festival Termómetro. 
- Estas experiências abriram outras portas? 
Mafalda: Sim, porque consegui ganhar experiência a cantar ao vivo e acabei por aperceber-me que não quero cantar as músicas de outras pessoas, quero cantar as minhas músicas, para isso foi muito importante. 
- Sentes que tens algo para contar. 
Mafalda: Exato. 
- Lançaste uma música que se chama "Infinite Lapse", em que te inspiraste para escrever a letra? 
Mafalda: Isso tem a ver com, não sei, acho que tenho aquele típico drama de adolescente, acho que posso chamar-lhe isso, aquela coisa de: "sempre insatisfeita, permanentemente insatisfeita". E foi um pouco isso, haver sempre alguma coisa que não está bem, ter algo para fazer e não conseguir, vem daí. 
- Em que consiste o teu processo criativo? 
Mafalda: Às vezes são melodias, outras vezes tenho algo que escrevi e gosto imenso, então tento criar uma melodia, mas tem sempre duas fases, primeiro um trabalho individual e só depois um trabalho em conjunto, porque é em conjunto que as músicas ficam como as pessoas acabam por ouvir. 
- Quando crias as tuas músicas, é para te distraíres do que está dentro de ti ou procuras mesmo mostrar algo às pessoas? 
Mafalda: Acho que é um pouco dos dois. 
- Ficas a pensar no que as pessoas poderão dizer? 
Mafalda: Não, se gostarem gostam, se não gostarem não são o público certo, é um bocado assim. 
- Portanto, podemos esperar mais músicas como a "Infinite Lapse" e a "Oddest Of Things", iguais sempre ao que tu sentes e pensas? 
Mafalda: Sim, queremos mostrar o que nos soar melhor. 
- Quais são as tuas influências/referências musicais? 
Mafalda: Nunca consigo responder a essa pergunta... 
Diogo: Patrick Watson! 
Mafalda: É, sempre... Eu digo sempre... 
Diogo: É o Patrick Watson. 
Mafalda: É o meu artista favorito e é o artista com o qual mais me identifico, até mesmo na maneira como eu canto. 
- Quando conheces um artista, procuras só a musicalidade, ou queres também saber da sua personalidade? 
Mafalda: 100% música, é muito raro eu saber alguma coisa sobre os músicos, nem dos nomes me lembro, gosto das músicas e não sei mais nada. 
- E de todos os artistas, o Patrick Watson é quem mais ouves, ou existe outro artista que estejas a ouvir mais neste momento? 
Mafalda: Quem mais ouço... Eu ouço muita coisa, mas o Patrick Watson é aquele artista de eleição. 
- Diogo, se me permites, o Gobi Bear e a Planalto Records, são ambos projetos teus? 
Diogo: Sim. 
- E como vocês dois se conheceram? 
Diogo: Somos primos. Portanto, desde o nascimento dela. 
- Como é trabalharem juntos? 
Mafalda: Eu nunca trabalhei com outra pessoa, portanto não tenho como comparar. 
- Se estivesses sozinha como o Diogo costuma estar, achavas melhor comparativamente com o que tem acontecido? 
Mafalda: Ah! Não... Não. 
- Preferes ter alguém a dar um certo suporte. 
Mafalda: Sim, o Diogo consegue tocar sozinho e fazer isso muito bem, eu não conseguiria. Gosto que a música seja uma colaboração entre as pessoas, gosto daquilo que me cabe a mim, mas gosto muito também do que nos cabe aos dois, são coisas diferentes, mas são aquilo que faz a música. 
- E quando estás a criar alguma coisa, não tens medo de chegar ao fim e ele dizer que não gosta? Não sentes pressão?
Mafalda: Interessa-me a opinião dele, mas não sinto qualquer pressão. 
Diogo: Mas já aconteceu isso... Não digo uma música inteira, mas já aconteceu ela mostrar-me algo novo, e sei lá, não digo que não gosto, mas sugiro alterações...
Mafalda: Sim, é verdade. 
Diogo: Há uma diferença quando é só uma pessoa a criar as músicas e quando são duas ou mais. Eu normalmente faço os arranjos ou edito algumas coisas, mas acho que se não gostar de uma música, vou-lhe dizer, aliás, acho que digo isso em todos os ensaios, que vai haver um dia em que direi que não gosto de uma música dela. 
- E nunca pensaram em ter uma banda de suporte? 
Mafalda: Não, neste momento não sentimos necessidade, mas talvez um dia seja necessário, para alguma coisa específica. 
- Tens 17 anos e neste momento estás a estudar, certo? 
Mafalda: Sim, estou. 
- Como é ter que conciliar o mundo da música com a escola? 
Mafalda: Não há qualquer problema e nunca senti dificuldades, tenho uma vida mais ocupada de quem só estuda, mas não é nada de complicado, estou no 12º ano e até tenho muito tempo livre. 
- E como reagiram os teus pais? 
Mafalda: Sempre estudei música e por isso não houve nenhum choque, sempre tive que gerir o meu tempo para estudar. 
- Ao tocar ao vivo, sentes a diferença quando tens os teus pais presentes e quando não tens? 
Mafalda: Tenho que dizer que sim, mas não sinto muito... Vou tocar muitas vezes ao vivo sem estar lá ninguém que conheça, acho que faz parte. 
- Como é ter 17 anos e com tantos olhos postos em ti? 
Mafalda: Acho que a minha idade não afeta nada isso, qualquer pessoa sente a pressão e também sempre estive habituada a tocar ao vivo, sempre dei concertos e fiz muita coisa, já estou habituada. 
- Como se deu a tua entrada no Festival Termómetro? 
Mafalda: O Diogo inscreveu-nos... 
Diogo: Recebi uma chamada a dizer que fomos selecionados, começamos a fazer ensaios de propósito porque não tínhamos músicas suficientes para tocar e eles só pedem quatro, nós não tínhamos. Ela apressou-se a fazer uma música nova, o nosso primeiro concerto foi no Teatro Aveirense, na 1ª eliminatória, uma das músicas que tocamos foi ensaiada só no próprio dia e depois demos mais dois concertos e recebemos uma chamada a dizer que estávamos na final. 
- Esperavam chegar aqui? 
Mafalda: Desde o momento em que saí do Teatro Aveirense não pensei mais nisso, acho que chegamos lá, fizemos o que sempre fazemos, correu muito bem e ficamos muito orgulhosos. 
Diogo: Não correu assim tão bem... Saímos do concerto a perceber muitas coisas que tínhamos que alterar, porque foi o primeiro concerto.
Mafalda: Sim. 
Diogo: Mas não pensávamos nas possibilidades, eu como Gobi Bear participei no Festival Termómetro de 2012 em que também fiz um dos meus primeiros concertos e fiquei na 1ª eliminatória e fez muita diferença no ano que se seguiu, então só por termos sido selecionados, eu já estava muito contente, faz uma grande diferença, já conseguimos marcar mais concertos, não só por estarmos na final, mas por estarmos a participar. 
- E estão a gostar da organização? Foram bem recebidos?
Diogo: São todos uns montes de lixo... 
Mafalda: Horríveis! Não, são pessoas muito simpáticas, tem corrido muito bem. 
- Como é tocar em Lisboa comparado com outros lugares, Guimarães, por exemplo? 
Mafalda: Acho que não faz diferença, um público é um público.
- E da cidade em si, gostas da cidade? 
Mafalda: Sim, a minha mãe é lisboeta, por isso tenho muita família em Lisboa e venho cá muitas vezes. E eu como toquei poucas vezes ao vivo, ainda não sei distinguir, se calhar o Diogo sente mais diferença, mas para mim públicos são públicos. 
- E preferem tocar para muitas ou poucas pessoas?
Diogo: Eu prefiro muitas. 
Mafalda: Sim, se forem poucas pessoas, acabas por perceber muito das reações das pessoas, se forem muitas é só uma massa humana. 
Diogo: Sim...
- Tendo em conta que a primeira experiência no Teatro Aveirense não correu assim tão bem como o Diogo disse, o que esperam de hoje? 
Diogo: Alguma coisa aconteceu bem, estamos aqui, mas para nós...
Mafalda: Sim, para nós...
Diogo: Que tínhamos uma certa expectativa, enganámo-nos umas 6 vezes em duas ou três músicas, mas eram coisas que só nós é que percebíamos...
Mafalda: Mesmo assim, saímos de lá com um sorriso na cara. 
Diogo: Sim, sim. 
- Soou natural, neste caso. 
Mafalda: Sim e toda a gente gostou. Nós que sabíamos como a música devia estar foi diferente.
Diogo: Nós naquela altura éramos os nossos maiores fãs e também os maiores críticos, para nós foi um 7 em 10. 
- Hoje procuram o 10 em 10? 
Diogo: Hoje vai ser um 10 em 10. 
Mafalda: Hoje vai ser incrível. 
- Estão muito confiantes? 
Diogo: Ainda nem sabemos quais músicas vamos tocar, ainda temos que decidir isso. 
Mafalda: Pois...
Diogo: Agora temos mais músicas e temos que perceber quais músicas devemos tocar. 
- Mafalda, tens alguma superstição ou ritual antes de entrar em palco? 
Mafalda: Não, nada...
- É um: "vamos embora!". 
Mafalda: É, vamos e...
Diogo: Tentar não tropeçar. 
Mafalda: Tenho sempre medo de tropeçar, tenho sempre medo de cair do palco abaixo. 
Diogo: Sempre tive esse medo e não desaparece, até já tropecei para aí duas vezes e é só pior, sabendo que já aconteceu pode voltar a acontecer. 
- E depois desta experiência, o que vem a seguir? 
Mafalda: Mais concertos. 
- E não pensas em lançar um álbum? 
Mafalda: Se surgir oportunidade sim, claro que gostávamos que acontecesse, é uma possibilidade, mas não estamos preocupados com nada. 
- Sentes-te otimista em relação ao teu futuro na música? 
Mafalda: Sim, sinto. 
Diogo: Sentes-te otimista? 
Mafalda: Sinto, é verdade. Porque a verdade é que, vendo bem as coisas, nós lançamos uma música há cerca de mês e meio e estamos aqui, isso é muito bom. Ainda temos muito pela frente, mas estou muito otimista. 
- Quando começaste a cantar, houve alguém que te disse que devias colocar a voz de uma certa forma, ou foi-te sempre natural cantar assim? 
Mafalda: Sempre cantei assim, não tento imitar ninguém, aliás, se calhar canto mal, se calhar canto da forma errada, não sei, mas gosto da maneira como soa. 
Diogo: Se calhar cantas...
Mafalda: Se calhar canto, quem sabe, para já ninguém se queixou...
- O que alimenta a tua paixão pela música? 
Mafalda: Ah não faço a mínima... O que alimenta a minha paixão pela música? 
Diogo: Desde que não tenha glúten. 
Mafalda: Pois, desde que não tenha glúten.
- Mas não existe um artista que tenhas como exemplo, como o Patrick Watson, em que gostavas de alcançar tanto quanto ele, ou talvez tenhas a ideia de poder tocar em vários sítios?
Mafalda: Sim, poder tocar em vários sítios é muito bom e tento sempre seguir os meus exemplos, mas desde que faça aquilo que eu gosto, independentemente de onde seja, acho que vou estar feliz. 
- Portanto, não te importas de um dia poder ser hipótese, ter que ter um trabalho "normal" e ser artista de música? 
Mafalda: Não, até porque quero conciliar o jornalismo com a música. 
- Obrigado pela disponibilidade, gostei da entrevista e gostei de vos conhecer.
Diogo: Também...
Mafalda: Igual, igualmente. Obrigado.

WhatsApp Image 2018-01-15 at 00.02.14.jpeg

 

Resta-me agradecer o tempo bem passado à conversa com a Mafalda e com o Diogo, são duas pessoas de muito bom humor, gostam do que fazem e alegria nunca lhes vai faltar, desejamos um futuro sorridente a estes artistas e que possam continuar a tocar para nós durante muitos anos, sem eles Mathilda não existia, um projeto que tem muito para oferecer, tal como Gobi Bear

 

Oiçam Mathilda aqui e sigam o projeto no Facebook e também no Instagram

 

Espero que tenham gostado, sempre que for possível iremos trazer novas entrevistas, obrigado ao Alex e à Ana também, sem eles isto tudo não era possível. 

 

Próximos espetáculos que vamos ver:

Sem datas até ao momento...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D